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Chá Mate
Por Dra. Denise Rosso*
Esta erva, conhecida como Ilex paraguariensis originária do Brasil, Argentina e Paraguai, sempre foi usada pelos índios, sendo difundida em todo o Brasil, onde sua forma de consumo muda em cada região. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ, um estudo mostra que a ingestão de chá-mate retarda o envelhecimento celular. (evitando o envelhecimento das células). Este estudo foi realizado em ratos que foram acompanhados por 10 meses e divididos em 3 grupos: um deles bebeu mate, outro água e o outro serviu de controle. Resultado: os animais que beberam mate viveram mais e melhor. É possível que este benefício também seja observado no homem. Ainda é cedo para afirmar qual substância específica da erva está por trás da ação pró-juventude. Por enquanto, a hipótese é de que o ácido clorogênico é o maior responsável pela façanha. É o principal antioxidante encontrado no mate. Além disso, sabe-se que este composto presente na planta é antioxidante e lhe dá a capacidade de proteger o organismo contra o surgimento de tumores. Pelo menos foi o que notaram os estudantes do curso de nutrição da Universidade do Vale do Itajaí, a Univali, em Santa Catarina. Eles usaram uma droga para induzir a genotoxicidade em 36 cobaias. Isso significa que o DNA delas ficou suscetível a alterações, favorecendo a produção descontrolada de células cancerosas. O melhor resultado apareceu no grupo que foi tratado previamente e continuou ingerindo a bebida, já que alguns animais nem chegaram a desenvolver o câncer. Ficou claro, portanto, que é possível driblar fatores potencialmente danosos ao DNA — como a exposição à radiação ultravioleta ou ao cigarro — quando deliciar-se com o chá-mate se torna um hábito. É também da Univali outro trabalho que identificou uma tendência à perda de peso em relação ao grupo que não tomou mate. A diferença seria bastante significativa se o período de intervenção fosse maior. Ao que tudo indica, a substância presente na erva mate que ajuda na perda de peso é a cafeína, que aparece em níveis consideráveis na planta e possui ação lipolítica. Isto significa auxílio na quebra das células de gorduras. A cafeína ativa o sistema nervoso central, devendo ser evitada sua ingesta após as 17h para evitar insônia e que pode elevar a pressão arterial, devendo ser usada com cautela em indivíduos hipertensos. Ainda se observou uma queda nos níveis de glicose circulante dos ratinhos, tendo este efeito sido comprovado por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina, a UFSC. Neste projeto, os voluntários eram humanos: 29 considerados pré-diabéticos e os outros 29 portadores de diabetes do tipo 2, que usavam remédios para controlar os picos de glicose. Estes indivíduos foram separados em três grupos, sendo que o primeiro tomou 330 mililitros de mate, três vezes ao dia. O segundo só contou com orientação nutricional e o terceiro combinou a ingestão do chá com o acompanhamento especializado. Nos pacientes diabéticos, houve uma redução de 17% dos níveis de glicose no sangue e de 0,85% na hemoglobina glicada após o consumo de chá, sem orientação nutricional. Os estudos mostram que a queda de 1% de hemoglobina glicada está associada a uma diminuição de 14% nas paradas cardíacas e de 37% nas complicações microvasculares, como pé diabético, problemas renais e oculares. Nos indivíduos pré-diabéticos, a ingestão da bebida, associada ou não ao acompanhamento por nutricionistas, não interferiu nas taxas de glicose. No entanto, consumir a bebida e seguir uma dieta adequada trouxe outros ganhos para quem não tinha a doença: os níveis de triglicerídeos despencaram 21,5% e os de colesterol LDL, 7,5%. Não se sabe ao certo o mecanismo responsável por esta melhora dos níveis de colesterol. Mas, não é exagero colocar o chá-mate no posto de protetor do coração. O ideal é consumir de 500 mililitros a 1 litro de chá-mate todo o dia, depois do almoço ou do jantar. Espere pelo menos uns 30 minutos depois das refeições para bebê-lo para não interferir na absorção de vitaminas e minerais da dieta. *Dra. Denise Rosso é mestre em Nutrologia pela UFRJ, Endocrinologista pela UFF, membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e professora do Curso de Pós-Graduação de Endocrinologia pelo IPEMED e Universidade de Gama Filho.
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