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Balão gástrico

Levantamento recente do Ministério da Saúde mostrou que o percentual da população brasileira acima do peso vem aumentando a cada ano. De acordo com o estudo, o número de pessoas com sobrepeso avançou de 42,7%, em 2006, para 48,5%, em 2011. No mesmo período, o percentual de obesos subiu de 11,4% para 15,8%. É um problema que começa cada vez mais cedo e atinge todas as faixas etárias e classes sociais. O gastroenterologista Carlos Eduardo Moraes explica que a obesidade tem causas multifatoriais e não tem cura, apenas controle. “Ninguém amanhece 10kg mais gordo. A gente amanhece ½kg mais gordo e vai deixando acumular”, diz.

Mas quando o aumento de peso já ultrapassou todos os limite, perdê-los parece ser tarefa quase impossível. As dietas não funcionam mais, os remédios possuem muitos efeitos colaterais, e a cirurgia definitiva de estômago não é a solução que você busca. Uma alternativa nova que tem apresentado excelentes resultados é o balão gástrico.

O procedimento é minimamente invasivo, leva de 8 a 10 minutos e não é necessário anestesia geral nem internação. Através de endoscopia, uma prótese de silicone ainda vazia é colocada no estômago do paciente, sedado, e, depois de cheia, passa a ocupar entre 50% e 60% do espaço, levando ao cérebro a sensação de saciedade e diminuindo assim, a quantidade de comida que se consome habitualmente. E não tem carência nutricional, porque come de tudo, mas em pouca quantidade.

O gastroenterologista explica que o procedimento é indicado em todos os casos, mas que beneficia mais quem tem quadro de sobrepeso ou obesidade graus 1 e 2. “Uma pessoa de 100kg, se perde 40kg muda radicalmente. Mas uma pessoa de 160kg, se perde 40kg continua obesa”, compara. Por isso, no primeiro caso, o número de pacientes satisfeitos é maior.

Outro diferencial do balão gástrico em relação à cirurgia é que o método é provisório. O balão fica de seis a sete meses no estômago e depois é retirado também através de endoscopia. Para evitar qualquer tipo de problema, o paciente tem acompanhamento de uma equipe multidisciplinar – endocrinologista, nutricionista, psicólogo, preparador físico, gastroenterologista e cardiologista – durante 10 meses. Ou seja, mesmo depois de retirar a prótese ele continua sendo assistido.

Alguns pacientes que buscam a cirurgia definitiva de estômago são orientadas a colocar, primeiro, o balão gástrico. Para muita gente ele funciona como uma ferramenta de estímulo. Com o procedimento, o paciente precisa passar por um processo de reeducação alimentar e praticar exercícios físicos. Quando o balão é retirado, a ideia é que ele já esteja adaptado aos novos hábitos e consiga mantê-los. Mas isso não ocorre com todo mundo. Há pessoas que voltam a comer normalmente após a retirada do balão e recuperam todo o peso que perderam. Há ainda aqueles que não conseguem se reeducar e não chegam nem mesmo a perder peso durante os meses com o balão gástrico. “O espaço no estômago é reduzido, mas o processo só funciona se seguir a orientação nutricional. Quem enche esse pequeno espaço com frituras, doces e comidas gordurosas não vai emagrecer”. Além da redução do peso, o paciente que utiliza o dispositivo evita as doenças decorrentes do excesso de gordura, tais como diabetes, hipertensão, apneia do sono, osteoartrite e doença arterial coronariana.




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